Quisera ele não se preocupar por misérias. Rabiscar absurdos tão tarde da noite era uma preocupação que ele não ansiava ter. Ir para algum lugar idiota com pessoas idiotas depois de uma tarde agradável é algo que ele não desejava (ou não deveria) fazer. Ele realmente não queria estar definhando por coisas tão pequenas. Mas sentia que estava. Chegou à conclusão que as coisas não estavam mais fazendo o mínimo sentido, sua vida não tinha sentido. Deu de cara com o grande baque da pós-adolescência: a realidade, nua e crua. As questões que povoavam a sua mente eram muitas… Como poderia querer estar com alguém, amar alguém, se ele mesmo não sabia o que lhe fazia lutar pelo instinto de sobrevivência? Como poderia querer que uma pessoa se apaixonasse por ele se ele não gostava de si mesmo? Isso tudo ele sabia. Seria muito egoísmo de sua parte. Viver em função das pessoas ao seu redor era algo que lhe causava certa repugnância. Mesmo que não fosse, ele sentia que devia algo a alguém. E sentia medo por isso. Este era o combustível da sua não-existência, da sua falta de significado. Ele não tinha significado.
Escrito por Alexandre Gouveia

2 comments
Comments feed for this article
10.Julho.2008 às 12:49 am
Alline
Sou sua fã!!!
Não fique na escuridão cinzenta do anonimato…rs
Beijos.
6.Junho.2009 às 8:53 pm
Bob
talvez a tragédia seja quando vc descobre q o mundo não é exatamente do jeito q vc imaginava.