Chega a casa com a maldita ressaca de cigarro e bebida alcoólica. Aquele misto de fumaça com desesperança que o invade e o corrói um pouco a cada dia. Se outrora bases de aço, hoje, resquícios de ferrugem e metal retorcido.As dores no estômago já são corriqueiras. A falta de ar e as ânsias são como o prenúncio de dias obscuros. O coração, irriquieto, parece querer saltar para fora do peito. Se sente sujo, não quer. Não quer ser podre.
Os problemas diários, a maldita ansiedade que o tornou um ser moribundo… Para ele o vício é uma válvula de escape para suas obsessões doentias. Assassinar o cigarro nas atuais conjunturas seria trágico. Homicídio doloso.
Quer sair, mas não sabe pra onde e nem com quem. Talvez seja melhor ficar em casa a suportar o olhar penetrante das pessoas ao seu redor. Reclamar da sorte. É tudo o que resta, é tudo o que lhe interessa. Sente a mudança necessária, mas sente-se incapaz. Sente o vento fresco em sua face. E o sol penetrando sorrateiramente seus poros lhe fazendo transpirar.
Sua rotina é uma luta diária contra os pensamentos. Eles são insistentes, intrusivos. Invadem, destroem e mutilam aquilo que chamam de ‘Ego’. Não importa onde está, a persistência e repetitividade desses eventos é algo que foge à sua compreensão. Não sabe mais quem é, não sabe quem foi (se um dia foi) e não sabe o que faz. Um fantoche. Apenas um fantoche de sua mente.
Escrito por Alexandre Gouveia

No comments yet
Feed de comentários deste artigo