Você fica questionando uma coisa ou outra, mas a verdade é uma só: você sempre irá sentir ódio!
Fico tentando imaginar se realmente existe algo de bom na vida. A minha vontade, é de acreditar que tudo que faço não vale a pena — pelo menos foram as circunstâncias que me mostraram isso…
Doçuras, doçuras, estou apertando os dentes e o instrumento em minha mão que me permite escrever esta miséria. Deleito-me com a minha miséria, é tão bom… Eu sou tão desprezível que chega a ser engraçado, mas de um humor negro: daqueles que você imagina seu rosto pálido com a barba por fazer, com um riso atormentado, e com os olhos cansados cheios de lágrimas por dias e dias sem dormir.
A mão formiga, sabe? As dores de cabeça são freqüentes, sabe? É tão bom… Ridicularizar tudo, até, a, mim, mesmo. É, tudo, tão, bom…
Tédio! Irei matar as flores que não me dão as costas, pois nada tenho a oferecer. Calem a boca! Calem a boca! Vamos combinar o seguinte: quando eu estiver passando — por acaso — perto de vocês, por favor, dêem as costas para mim, pois sua beleza nada significa para mim.
Oh! Tão modesto e quietinho esse rapaz! Cujos olhos cansados refletem aquilo que não se pode ter: felicidade! Felicidade! Tão almejada quanto os livros que você não pode ter, tão almejada quanto a fina pele de uma bela mulher… Dane-se! Suas palavras nada significam para mim, seu burro! Ignorante! Você não é nenhum pouco melhor do que eu! Seu medíocre idiota! …o quê? Mundo? Dando as costas pra você? Não se preocupe, pois não há nada a perder…
Dirias que não tem do que se queixar? Dirias que não tem do que se arrepender? Jogaria tudo para o alto? Até-aquele-seu-sonho? Seu medíocre de merda! É tão bom… Ridicularizar tudo, até, a, mim, mesmo, não, é? Pois bem, homenzinho de rosto pálido e com olhos cansados, somos então a miséria do mundo! Aplausos por favor!
…
Mas as flores… Não: elas não dão as costas para o mundo, — como certos indivíduos de olhos cansados — elas… Apenas murcham na hora certa… Sem reclamar…
Escrito por Diego Carmelo (Bob)
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